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investimentos na região. Nesse contexto, a Amazônia passou a fazer parte dos
projetos do capital financeiro, inclusive internacional. Independentemente da
opinião pública e das informações oficiais, o fato é que, desde a instalação
dos governos militares, os projetos agropecuários na região tiveram a finali-
dade, ainda que oculta, de manter e ampliar o domínio do centro econômico
do país sobre a periferia. Como a economia do país é subordinada aos inte-
resses das economias centrais, dominadas por países centrais como Estados
Unidos, Alemanha, França, Japão e outras nações capitalistas desenvolvidas, a
Amazônia veio a se transformar em pasto universal do capitalismo.
Ianni (2019) aponta três questões surgidas da problemática amazô-
nica: geopolítica e desenvolvimento extensivo do capitalismo; acumulação
primitiva e luta pela terra; ditadura e fronteira. Essas questões demonstram
a articulação entre a ditadura e o capital, que foi grandemente beneficiado
por ela. A economia política da Amazônia, assim como a do conjunto da so-
ciedade brasileira, faz parte das políticas e práticas dos órgãos governamen-
tais e das empresas privadas. Conforme afirmação de Ianni (2019, p. 211),
Desde o começo, os governos militares foram levados a adotar várias po-
líticas para a Amazônia. Foram diversos, e cada vez mais abrangentes, os
planos, programas e projetos adotados pelo poder público federal para
iniciar, dinamizar ou orientar o desenvolvimento econômico da região [...]
Assim, o extrativismo, a mineração, a pecuária, a agricultura, a indústria,
a agroindústria, o comércio, os serviços, as atividades financeiras, todos os
setores da economia beneficiaram-se da atuação do poder público.
Porém, na Amazônia, foram adotadas duas vertentes políticas: a geo-
política, destinada a integrar a Amazônia ao restante do país, principalmente
nos aspectos econômico, político, militar e cultural, dominados pela cultura
do Centro-Sul; a outra vertente se destinou a abrir a Amazônia ao desen-
volvimento capitalista, de forma extensiva. Tanto para favorecer o chamado
“desenvolvimento econômico” como para atender a “segurança nacional”,
grandes rodovias foram construídas, ligando a Amazônia a todo o país, mas,
principalmente, ao centro do poder, a capital do país. Ocorre que segurança
e economia fazem parte do mesmo projeto político. Contudo, o projeto
político brasileiro, seja para a Amazônia, seja para o resto do país, visou ao