
Estudos críticos em organização do conhecimento
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O Quadro 1 demonstra a compatibilidade entre os conceitos de
garantia cultural, multiculturalidade e transculturalidade, de modo que
não se excluem, mas se complementam. Entende-se que um vocabulário
controlado só é efetivamente multilíngue se além de apresentá-lo em vá-
rias línguas, ele represente terminológica e culturalmente cada uma delas
(Biscalchin, 2013).
Quadro 1 – Síntese conceitual da garantia cultural, da multiculturalidade
e da transculturalidade
GARANTIA CULTURAL MULTICULTURALIDADE TRANSCULTURALIDADE
Retrata que qualquer tipo de
representação da informação e/
ou sistema de organização pode
ser maximamente apropriado e
útil para indivíduos em algumas
culturas, apenas se for baseado
em pressupostos, valores e
predisposições daquela cultura
(Beghtol, 2002, p. 511).
Respeito às minorias culturais e
reconhecimento pela sociedade
da sua existência, influência e
importância cultural.
Pode ser visto como a
disseminação da informação
visualizando os diversos aspectos
referentes a um mesmo assunto.
Vocabulário controlado
multilíngue ou qualquer sistema
de disseminação e representação
da informação precisa tentar
alcançar o maior número de
usuários (individuais ou grupos)
possível, abrangendo para isso
a informação, conforme a visão
cultural de cada grupo/indivíduo.
Nenhuma cultura se sobrepõe
as demais, possuindo todas, o
mesmo valor e importância,
devendo ser reconhecida e
respeitada a heterogeneidade
cultural.
Precisa ser isenta de preconceitos,
abrangendo desde as grandes
culturas até as minorias culturais,
buscando inibir práticas de poder
de modo que a disseminação da
informação ocorra de maneira
“pura”, isenta de influências
pessoais e imposição de opinião.
A garantia cultural “[...]
fornece os fundamentos e a
autoridade para as decisões
sobre os conceitos e quais as
relações existentes entre eles são
adequadas para um determinado
sistema [...] decorre[ndo] das
necessidades de informação dos
supostos potenciais utilizadores
do sistema” (Beghtol, 2005, p.
904).
“[...] traz, à sociedade, a
necessidade do reconhecimento
e do respeito pelas diferenças
na tentativa de promover a
coexistência do respeito aos
indivíduos e às comunidades
cuja importância é ignorada e,
consequentemente, pelo rechaço
a atitudes monoculturais de
grupos dominantes” (Milani,
2010, p. 64).
A representação da informação
deve ser conduzida de forma
crítica, para que não reproduza
preconceitos ou exclua culturas
por convenções sociais impostas
pela cultura/política dominante.
Busca pela aproximação do
sistema com a linguagem do
usuário, levando em consideração
seus valores, crenças e suposições
Busca pela paridade na valoração
no tratamento das culturas, sendo
todas elas vistas como iguais em
valor e importância.
Possibilita aos usuários o acesso à
informação e a formação da sua
própria opinião, por meio da
leitura.