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das relações saber x poder” (PRADO FILHO; TETI, 2013, p. 50).
Porém, vamos por partes. A dimensão do poder se forma nos aspectos
de visibilidade dos estratos, na disjunção, particularmente nos meios:
Quando Foucault define o Panoptismo, ora ele o determina
concretamente, como um agenciamento óptico ou luminoso que
caracteriza a prisão, ora abstratamente, como uma máquina que
não apenas se aplica a uma matéria visível em geral (oficina,
quartel, escola, hospital, tanto quanto a prisão), mas atravessa
geralmente todas as funções enunciáveis. (DELEUZE, 1988, p.
43).
É uma máquina abstrata que tratará de definir a forma de
regulação das forças que compõem esse espaço dos meios. Sua
regulação terá a função de trabalhar, cortar, compor, as linhas
singulares que os estratos formarão, veremos elas mais adiante: “A
fórmula abstrata do Panoptismo não é mais, então, ‘ver sem ser visto’,
mas impor uma conduta qualquer a uma multiplicidade humana
qualquer” (DELEUZE, 1988, p. 43 destaques do autor).
Pois bem, em primeiro lugar, o poder não é uma forma tal
como os estratos – estes tinham conteúdo e expressão e, cada um,
contendo forma e substância – ou seja, a relação de “[...] poder não se
estabelece entre duas formas, como o saber.” (DELEUZE, 1988, p.
78). E, em segundo lugar, “[...] a força não está nunca no singular, ela
tem como característica essencial estar em relação com outras forças,
de forma que toda força já é relação, isto é, poder: a força não tem
objeto nem sujeito a não ser a força” (DELEUZE, 1988, p. 78). Pode-
se até estabelecer uma lista, como exemplos, deste exercício
constituído sobre ações: “[...] incitar, induzir, desviar, tornar fácil ou
difícil, ampliar ou limitar, tornar mais ou menos provável... Essas são
as categorias do poder.” (DELEUZE, 1988, p. 78). Em Vigiar e