
A atividade de estudo e o
desenvolvimento da escrita autoral
de estudantes escolares
Érika Christina Kohle
A atividade de estudo e o desenvolvimento da escrita
autoral de estudantes escolares
de transformações desse ensino para ga-
rantir não apenas a sua permanência nes-
se ambiente, mas também a devida apro-
priação dos conhecimentos importantes
para a formação mais complexa da perso-
nalidade das crianças escolares.
Uma alternativa para enfrentar essa situ-
ação, tem-se a obra intitulada A ATIVI-
DADE DE ESTUDO E O DESENVOL-
VIMENTO DA ESCRITA AUTORAL
DE ESTUDANTES ESCOLARES que
resulta da tese de Doutorado de Érika
Christina Kohle, do Programa de Pós-
-Graduação em Educação da Faculda-
de de Filosoa e Ciências, Universidade
Estadual Paulista – Unesp – Campus de
Marília. A pesquisa de doutoramento que
resultou neste livro teve como objetivo
compreender como a Atividade de Estu-
do pode possibilitar o processo de apro-
priação de atos de escrita, visto que esse
tipo de atividade é entendida pela Teo-
ria Histórico-Cultural como a atividade
principal de crianças em idade escolar, e,
ainda, é considerada como um meio para
que os estudantes ao utilizá-la reprodu-
zam os princípios de ações pelos quais
compreendem e analisam o mundo dos
fenômenos, das relações e dos bens cul-
turais humanos.
Por meio do conhecimento teórico, con-
teúdo da Atividade de Estudo, desenvol-
vem-se, no escolar, capacidades que lhe
possibilitam o desenvolvimento de uma
nova forma de ação para concretizar sua
relação com o mundo, ou seja, uma rela-
ção teórica com a realidade.
Programa PROEX/CAPES:
Auxílio Nº 396/2021
Processo Nº 23038.005686/2021-36
No processo histórico de humani-
zação, oferecer oportunidades de realiza-
ção de atividades às crianças para a apro-
priação dos conhecimentos cientícos,
artísticos e outros, de forma crítica, que
envolva análise dos objetos de estudo, re-
exões e sínteses durante a realização do
processo de aprendizagem do conteúdo
relativo a esses objetos, constitui-se um
caminho adequado para propiciar o seu
desenvolvimento, pois, ao passo que se
apropriam desses saberes por meio desse
processo, elas os integram a sua persona-
lidade e tornam-se cada vez mais autô-
nomas.
O grande problema é que, tradicional-
mente, na grande maioria das escolas,
os currículos são elaborados com base
na lógica formal do pensamento huma-
no, cabendo às crianças a apropriação de
conteúdos por meio da aplicação dos co-
nhecimentos adquiridos com a compara-
ção entre fenômenos particulares. Nesse
movimento, o pensamento das crianças
escolares passa dos aspectos particulares
para os gerais de determinado objeto de
conhecimento, porque essas propostas
de ensino objetivam apenas catalogar,
categorizar ou classicar saberes, desen-
volvendo-se como um pensamento for-
mal, descritivo, mnemônico e alienado
que não tem importantes contribuições
qualitativas à cognição e à personalidade
da criança escolar que aprende por meio
desse ensino.
Produz-se, com isso, o fenômeno da
insuciência escolar, expresso em do-
cumentos ociais e também em da-
dos resultantes de pesquisas cientícas
que abordam esse tema. Como apenas
o acesso ao ambiente da escola não ga-
rante por si mesmo o desenvolvimen-
to das capacidades psíquicas das crian-
ças, é necessário pensar em formas
Este livro defende a ideia de que a Atividade de Estudo pode se constituir como
uma possibilidade de prática pedagógica para o processo de ensino-aprendi-
zagem de atos de escrita, por meio de gêneros do enunciado, e, desse modo,
inuenciar no processo de desenvolvimento das capacidades do pensamento te-
órico dos estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, uma vez que o
percurso da atividade de estudo se vinculada diretamente à apropriação da ge-
neralização teórica dos conhecimentos cientícos – os conceitos, suas leis e seus
princípios, e, consequentemente, tem como resultado a autotransformação do
sujeito e a apropriação dos conhecimentos teóricos.
Enfatiza-se a importância da proposição pedagógica da Atividade de Estudo,
porque tal metodologia de ensino-aprendizagem se caracteriza como uma ativi-
dade que desenvolve e transforma os sujeitos que a realizam, propõe a conexão
entre os processos intelectuais e os processos motivacionais das atividades hu-
manas, visto que para a aprendizagem ser consciente, a criança escolar necessita
saber para que precisa e quer estudar determinado objeto da cultura. É mister
que a criança compreenda que deve estudar para ser membro participante da
sociedade, para conhecer as mazelas sociais presentes na sociedade do consumo
e para interferir no processo de sua superação.