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Educadores viveram momentos em que questões foram postas,
exigindo soluções urgentes: o que fazer com todas/todes/os estudantes,
desde a creche? Dentro de uma cultura escolar, que embora em constantes
mudanças, já está bastante consolidada, como proceder à distância, com
práticas pedagógicas que exigem a presença das pessoas, cujas constantes
relações produzem vivamente culturas, conhecimentos variados, para bem
além dos conteúdos escolares e currículos previamente definidos? A
pandemia expôs problemas já arrastados por décadas, mas criou outros
muito importantes, para dar continuidade às expectativas educacionais,
para manter e construir vínculos entre pessoas de todas as idades, para
produzir a vida em tempos de mortes. Ao considerarmos as pesquisas e
relatos de práticas contidos na obra aqui abordada, percebe-se que
profissionais da educação, em todas as etapas, incluindo a educação
especial, tão relegada, em esforços contínuos mantiveram a educação
continuamente viva, apesar de descasos.
Aspectos tão investigados por inúmeras/es/os pesquisadoras/es, tais
como, a importância do contato físico, das relações entre todas/es/os e que
produzem os espaços escolares e o conhecimento em distintas áreas foram
colocados em xeque. Corpos de crianças e jovens, suas vozes, anseios,
correrias e debates ricos foram silenciados. O que seria possível, agora num
momento em que se parecia engessar quaisquer dessas práticas, e, de fato,
as engessou, produzindo outras e até mesmo impedindo qualquer prática
escolar, diante de um cenário de miséria, presente em diferentes bairros de
pequenas e grandes cidades brasileiras, em que o acesso à internet era
impossível, bem como, a computadores pessoais, ainda escassos, devido ao
alto custo. Dados da Pesquisa por Amostra Domiciliar (PNAD) Contínua,
realizada em 2019, no Brasil, revelam que 4,3 milhões de estudantes não
tinham acesso à internet e destes 4,1 milhões são de escolas públicas. Isso